Estudo CityNav mostra que o “cinturão de crescimento” de Fortaleza deve avançar 10,7%

Embora o cenário a curto prazo aponte para a redução do consumo das famílias, freado pela inflação alta e pelo aumento dos juros, estudo publicado pela consultora britânica McKinsey aponta uma conjuntura favorável para os próximos anos. Conforme a pesquisa, o Ceará deve apresentar um crescimento nominal de 9,1% entre 2014 e 2024, proporção superior a do País, que deve apresentar avanço nominal de 7,3% no mesmo período.

Para localizar esse potencial de consumo, o estudo CityNav fez o mapeamento dos maiores mercados, dividindo o País em 550 microrregiões. A partir de critérios econômicos e demográficos, os consultores avaliaram as oportunidades de venda de 60 categorias de produtos em cada região. A conclusão é que há cinturões com potencial de crescimento bem acima da média anual de 1% a 3% projetada para o Brasil até 2024.

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Os chamados “cinturões de crescimento” são um conjunto de cidades menos desenvolvidas, a uma raio de 75 km a 200 km de distância das capitais, que se beneficiam da proximidade às metrópoles e funcionam como uma extensão das cidades. Além disso, essas áreas são procuradas por pessoas que querem fugir dos elevados preços de imóveis das capitais sem deixar de estarem suficientemente próximas do local de trabalho.

Em relação ao Ceará, o estudo aponta que o cinturão de Fortaleza deve crescer 10,7% até 2024, proporção de 1,6% maior que a do Estado. Apenas Trairi, Beberibe e Pentecoste, as três cidades do cinturão com maior projeção de crescimento em termos nominais, devem alcançar o índice de 11,2%, proporção 2,1% maior que a do Ceará – são áreas com potencial para ampliar o consumo em um ritmo maior do que a Capital e o Interior.

Atrativos

Localizada a 123 km de Fortaleza e com população de cerca de 51 mil habitantes, Trairi aparece como uma das cidades do cinturão da capital com maior potencial de consumo. Conforme o estudo, as razões que justificam a classificação do município envolvem o Complexo Eólico Trairi, o potencial turístico da região, com grande procura para a prática de kitesurfing, e o complexo de parques aquícolas para cultivo de peixes e algas.

A pesquisa relembra que o último parque do Complexo Eólico Trairi, chamado Mundaú, com 13 aerogeradores e capacidade instalada de 30 mW, entrou em operação no dia 1º de abril do ano passado.

A Tractebel Energia investiu R$ 540 milhões nos quatro parques – Mundaú, Flexeiras (30 mW), Trairi (25,4 mW) e Guajiru (30 mW) – aumentando sua produção de energia em volume suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes.

O atrativo turístico, principalmente pela busca da prática do kitesurfing, também é uma das razões que colocam Beberibe na lista de cidades com grande potencial de crescimento de consumo. A 86 km de Fortaleza e com 49 mil habitantes, o município figura no calendário internacional da modalidade, sediando importantes competições. A economia local tem crescido com a gastronomia e com a melhoria da infraestrutura dos hotéis e restaurantes.

Já Pentecoste, a 92 km da Capital e com 35 mil habitantes, sedia uma indústria de calçados e possui um dos maiores centros de pesquisas ictiológicas da América do Sul, o Centro de Pesquisas Ictiológicas Rodolpho von Ihering, do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas, para realizar pesquisas na área da aquicultura.

Além disso, recebeu neste ano oito dessalinizadores do Governo Federal para transformar água salobra em potável.

Velocidade

Conforme dados da pesquisa, municípios com fatia maior de famílias integrantes das classes C e D podem ampliar as compras com velocidade 25% maior em relação a cidades com maior peso de famílias de alta renda na população. A tendência também existe nas cidades com maior proporção de jovens, que têm potencial para expandir o consumo num ritmo 18% maior do que aquelas com uma população mais velha.

Os consultores identificaram três características estruturais que impulsionam o consumo no País. Uma diz respeito ao bônus demográfico: em 2020, aproximadamente 146,4 milhões de brasileiros (cerca de 71% da população) estarão em idade produtiva (15 a 64 anos), contingente que será maior que o número de dependentes (crianças e idosos) da população, um bônus demográfico que ajudará a alavancar o consumo no Brasil.

Outra característica trata do aumento da classe média. A economia brasileira já conta com uma classe média forte que vem se fortalecendo mais, à medida que cidadãos de classes socioeconômicas mais baixas melhoram a renda. O estudo leva em conta que, de 2000 a 2014, 24,7 milhões de famílias ascenderam à classe média e, com a tendência, a classe estimulará ainda mais o consumo.

A terceira característica leva em conta a participação dos gastos dos consumidores no PIB do País. No Brasil, o consumo chegou a constituir 63% do PIB brasileiro no ano passado, porcentagem consideravelmente maior que a de outras economias emergentes. Na China, esse índice é de 36%. Com isso, os consultores esperam que os gastos com bens de consumo apresentem uma taxa anual de crescimento real de 1% a 3% até 2024, para atingir vendas totais adicionais de R$ 813 bilhões até o fim daquele ano, valor equivalente ao mercado do Reino Unido.