A praça, as flores, os bancos, o jardim não são exatamente mais os mesmos. De 1979, quando data o início de sua história, até hoje, a praça Luiza Távora, na Aldeota, sentiu as transformações dentro de suas dimensões. O entorno também passou por mudanças. Dos vizinhos mais antigos aos recém-chegados, o difícil é encontrar quem não goste de morar ali perto. E o mercado imobiliário sabe disso.

Entre as casas que ainda resistem e o comércio presente, de frente para a praça da Ceart, como também é conhecida, são cinco edifícios residenciais – dois deles recentes, entregues nos últimos cinco anos. Além destes, dois comerciais estão em construção. Isso só para citar aqueles que estão defronte à praça. São empreendimentos que vislumbram o potencial que não só o bairro tem a oferecer, mas especialmente o que o equipamento público garante em termos de qualidade de vida.

Das moradoras mais antigas, a dona de casa Maria Helena Quezado, 77, é uma das que asseguram não terem pretensão alguma de mudança. Já são 27 anos residindo no edifício São Raimundo, prédio mais antigo de frente para a praça. “Tenho outros imóveis em Fortaleza, mas quero continuar aqui”, diz. Entre os motivos, a certeza de que, se tiver companhia, haverá caminhada de manhã cedo e a proximidade com a Igreja das Missionárias, que frequenta todo domingo.

Maria Helena narra que o edifício não tem estrutura de lazer. E mesmo entre os moradores dos prédios novos, que contam com itens como quadra, piscina, academia, se repete o discurso de que a praça é uma extensão para os empreendimentos. “Os edifícios têm áreas de convivência muito restritas. As pessoas se utilizam da praça e dos equipamentos como uma complementação do conforto doméstico”, descreve o arquiteto e urbanista Romeu Duarte.

O especialista destaca o alto custo que é reproduzir “a própria cidade” dentro do equipamento privado. “Tem impacto ainda no valor do condomínio para a manutenção”, afirma. Por isso, analisa, os espaços que o poder público investe, recupera e oferece à população servem também como área de desafogo para os equipamentos residenciais que estão a volta.

“Se você viera aqui no começo da noite, não vai encontrar quase ninguém na academia ou no playground. Muitos descem para a praça”, conta a comerciante Patrícia França, 38, que sempre que pode promove piquenique com o marido e os filhos, de 4 e 6 anos. Ela reside em um dos mais recentes edifícios construídos ali. A servidora pública Noemi Fonseca, 56, há vinte anos mora do lado da praça, e garante que as reformas e novos equipamentos inseridos na praça valorizaram os imóveis. Mas assegura que ninguém quer se desfazer da sua propriedade.

“Tende a valorizar os imóveis. Se há investimento nas melhorias de áreas urbanas, com paisagismo, equipamentos de esporte, lazer, lúdicos, culturais, concorre para a valorização imobiliária”, avalia Romeu.

Fonte O Povo pRAÇA