camilo-500x375Em um movimento para estimular a indústria, governadores e centenas de representantes do setor produtivo da região Nordeste estiveram reunidos no dia 10 de março, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). No ato, autoridades políticas e empresariais ressaltaram o papel da região para o desenvolvimento do País e defenderam a manutenção do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Estiveram presentes os governadores do estados do Ceará, Camilo Santana, de Pernambuco, Paulo Câmara, e do Piauí, Wellington Dias, assim como os presidentes de todas as federações das indústrias do Nordeste, parlamentares, entre os quais o senador Tasso Jereissati, representantes de sindicatos do setor produtivo e diversos empresários, em uníssono pelos interesses nordestinos.

“Este é o momento de nos unirmos e superarmos as dificuldades deste País e deste Estado para que a gente possa, juntos, com sinceridade e com franqueza, buscarmos as alternativas para vencer as dificuldades que o Ceará, o Nordeste e o País vivenciam”, destacou Camilo.

Ressaltando as desigualdades entre as regiões brasileiras, o presidente da Fiec, Beto Studart, criticou a ameaça de redução de 30% dos fundos constitucionais. “O fundamental é que os recursos do FNE sejam aplicados, de modo menos burocrático, para que possam atender verdadeiramente às demandas do setor produtivo, incrementando o desenvolvimento da nossa região e reduzindo as desigualdades regionais”, cobrou.

Na ocasião, o presidente da Fiec ressaltou ainda que o “cerne do problema (a crise que o País atravessa) não é econômico. É ético e moral”.

Crédito Na ocasião, foi lançado o cartão FNE pelo Banco do Nordeste, que chegou por meio de um drone ao evento, chamando a atenção dos empresários para o uso da tecnologia. O cartão tem a promessa de facilitar a compra de bens e serviços financiados com recursos do Fundo que, conforme apontou presidente do banco, Marcos Holanda, o Nordeste não abre mão.

“Neste ano, há no mínimo R$ 14,5 bilhões para aplicar na região. Isso é importante para que o Nordeste possa aumentar sua capacidade de produção e, com isso, gerar mais renda e emprego”, pontuou o presidente.

Marcos Holanda ressaltou ser compromisso do Banco do Nordeste do Brasil “fazer o FNE de forma benfeita”. “O que é isso? São quatro letras ‘E’: com Eficácia, ou seja, contratar em todos os setores, em toda a região Nordeste, de maneira homogênea; com Eficiência, controlando os recursos, as despesas, procurando fazer mais com menos; de forma Efetiva, fazendo chegar às empresas; e com Ética, com integridade”, disse.

Taxas

Embora a medida venha a desburocratizar o acesso das empresas ao crédito subsidiado, a taxa de juros determinada a 14,12% torna o cartão menos atrativo. Desde janeiro deste ano, a taxa do FNE para operações de crédito não rurais de micro, pequenas e médias empresas passou de 8,24% a 14,12%, um crescimento de 71%, tendo sido autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Beto Studart ressaltou, entretanto, que há uma movimentação para derrubar o aumento. Inclusive, o Senado aprovou na última quarta­feira (9) um projeto de decreto legislativo que susta a resolução que elevou as taxas. “Fica faltando votar agora na Câmara dos Deputados. Com certeza todos os governadores do Nordeste tentarão exercer uma influência sobre a Câmara para que possamos materializar esse pleito”, pontuou.

Voltado inicialmente às empresas de micro e pequeno porte, o Cartão FNE permite realizar contratações no âmbito das linhas de longo prazo e capital de giro com base em uma linha de crédito rotativa e com limite pré­aprovado. Entre os itens financiáveis, estão a compra de matéria­prima, insumos e mercadorias necessárias à constituição de estoque, além de máquinas, veículos e equipamentos.

De acordo com Holanda, a medida é um passo a mais para dar agilidade no acesso do empresariado aos recursos do FNE. “O que é louvável é que ele (o Banco do Nordeste) continuará dando ênfase ao microcrédito, mas procurará avançar em direção à média empresa, de tal forma que elas possam se fortalecer e tornarem­se grandes empresas no Nordeste”, apontou Studart.

Cartão

Validade

Tem validade de cinco anos, renovável por igual período, além de isenção de anuidade.

Aquisições

Máquinas, veículos, equipamentos, móveis e utensílios podem ser adquiridos até 72 meses; e mercadorias e matérias­primas em até 36 meses;

Compra

A compra é efetivada sem necessidade da presença do cliente em agência do Banco do Nordeste ou no fornecedor;

Para o fornecedor

Gera um novo canal de vendas, evita a necessidade de se catalogar produtos no portal do BNB e tem diversas credenciadoras: Global, Cielo, Rede e Getnet;

O que eles pensam

Medida é positiva, mas juros ainda incomodam

“Isso é um produto que a gente espera há muito tempo, pois simplifica os processos. Muitas vezes o industrial precisa de uma resposta rápida para suas demandas, e isso será facilitado pelo cartão. Os juros praticadas atualmente, porém, dificultam essas operações, mas acredito que nos próximos dias deveremos ter novidades com a baixa de, no mínimo, 50% dessas taxas”

Adauto Marques

Presidente da Fiemg Regional Norte

“Recebemos com alegria este novo produto do BNB, mas o que precisamos discutir são esses juros praticados atualmente para esses fundos, que aumentaram mais de 70%. Isso inviabiliza qualquer tipo de investimento, principalmente entre os médios e pequenos empresários. Não adianta a gente estar aqui lançando o cartão e não trabalharmos para reduzir esses juros”

Antônio José Filho

Presidente da Fiepi

“O cartão do FNE nos traz a expectativa de termos um produto competitivo, que venha para apoiar a indústria na sua base, que são as micro e pequenas empresas. O BNB tem esse papel de incentivar a competitividade. Quanto aos juros, existe um pleito das federações do Nordeste para voltar os patamares anteriores. Não aceitamos a forma como eles foram trocados”

Amaro Sales

Presidente da Fiern

“A chegada do cartão é muito boa para os empresários porque vai simplificar toda a operação de captação de crédito, que hoje é demorada, mas passará a ser rápida e eficiente. Vai dar um impulso na indústria, principalmente na aquisição da matéria­prima. Seria importante o banco estudar também a colocação de capital de giro, que atualmente é carência entre as pequenas e médias”

Ricardo Essinger

Presidente da Fiepe

“Estou querendo ver como vai ser a operação deste cartão, pois temos muitas promessas e ideias boas, mas com a atual situação econômica do País fica difícil avançar, pois os juros permanecem altos e restritivos. Assim, não sei o quanto o cartão vai de fato atrair a demanda de empresários. Talvez não seja o momento mais adequado para lançar esta ferramenta. Vamos ver”

Roberto Macêdo

Empresário “Acho (o lançamento do cartão) muito oportuno, principalmente em um momento de tanta crise. É uma medida positiva, que incentiva principalmente o pequeno e médio empresário a sair desta crise com crédito, facilitando a vida, desburocratizando. No senado, tivemos uma votação para reduzir os juros. Está tramitando, mas creio na queda das taxas em breve”

Tasso Jereissati

Senador

Fonte: Diário do Nordeste