Poesia e faxina para amenizar a saudade

A mineira Ceiça era professora primária no Brasil e sonhava se formar em Letras. Iniciou o curso, mas não pôde continuar. “Tudo o que eu ganhava era pra pagar a faculdade”, conta. Na época, chegou a escrever uma carta ao presidente Lula para tentar conseguir uma bolsa de estudos, mas acabou decidindo vir para a Holanda em 2004 para trabalhar na faxina. “Eu não tinha como pagar a faculdade, não tinha a quem pedir dinheiro emprestado, então pensei: vou embora.”

Aos 44 anos, ela deixava pra trás o filho, na época já com 22 anos, e o neto, então com pouco mais de 3 anos. A ideia era em três anos pagar a dívida que havia feito para vir para a Holanda e juntar algum dinheiro para voltar ao Brasil, comprar uma casa e poder continuar a faculdade. Mas os planos mudaram logo depois que chegou a Amsterdã. Conheceu um holandês, com quem vive até hoje, e o filho ficou desempregado. Seis anos depois, ela conseguiu comprar um apartamento e um carro para o filho, e grande parte do que ganha com seu trabalho vai para o Brasil.

Apesar de ter um companheiro holandês, Ceiça nunca regularizou sua situação – segundo ela, por falta de tempo – e continua trabalhando ilegalmente, fazendo faxina de segunda a sábado. Apesar da rotina puxada, ela não reclama.

Em tudo a Holanda parece ser o país ideal para esta mineira que gosta de frio, de dias nublados, e que diz adorar fazer limpeza. Só a distância do filho e do neto tornam seus dias mais tristes – uma tristeza que ela afoga no trabalho e em poemas que escreve e guarda com zelo.

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