Professora quer levar ‘matemática holandesa’ para o Brasil

É mais fácil aprender matemática na Holanda do que no Brasil. Essa é a opinião da educadora Maria Solange da Silva, que se mudou para os Países Baixos para entender como as escolas holandesas trabalham a matemática realística. O objetivo dela: levar esse conhecimento para o Brasil e facilitar a vida de crianças e professores.

“A matemática realística tem a ver com um modelo matemático da vida real, que busque algo real dentro da história da matemática ou dentro da imaginação e que tenha um significado para a criança”, explica a professora.

Solange da Silva dá um exemplo de como a matemática realística é aplicada na Holanda: “Uma criança vai passear de bicicleta com os professores. Antes de partir, ela recebe um mapa do bairro para se localizar. Ela vê quais são as ruas e o melhor percurso até o ponto de chegada. Ao mesmo tempo em que passeia, ela está aprendendo as coordenadas cartográficas e matemáticas, bem como o par ordenado da área.”

Hans Freudenthal
Foi durante o mestrado em educação matemática que ela entrou em contato com o método do germano-holandês Hans Freudenthal. O matemático e pedagogo, que viveu de 1905 a 1990, renovou o ensino da matemática na Holanda.

Freudenthal era contrário ao ensino de teorias que não tivessem significado para a vida das crianças. Pelo seu método, o estudante aprende a matemática através de um ponto de vista prático. A matemática realística passou a ser implementada nas escolas holandesas a partir dos anos 1970. Desde então, passou a ser adotada também em outras partes do mundo, como por alguns estados dos Estados Unidos e na Indonésia.

“Aqui na Holanda, me encanta ver uma criança terminar o ensino primário, por volta dos 12 anos de idade, e a rapidez com que ela faz cálculo mental. Ela multiplica frações mistas, por exemplo, dois inteiros e um terço, multiplica três inteiros e dois quartos com facilidade através do cálculo mental,” admira-se Maria Solange da Silva.

Matemática moderna
No Brasil, a educadora dava aulas aos futuros professores de matemática e do ensino fundamental. Um dos seus maiores desafios era fazer com que seus estudantes se tornassem entusiastas da disciplina. Isso porque, de acordo com Maria Solange, há um excesso de teorias no método utilizado pelo Brasil. “Ainda no ensino fundamental, as crianças trabalham um conteúdo muito pesado, o que faz com que a aprendizagem da matemática seja muito sofrida. Porque elas aprendem algo que não sabem como aplicar”.

Segundo ela, o Brasil adotou a matemática moderna, que se baseia na teoria dos conjuntos e no ensino de álgebra. Esse método surgiu na década de 1960 nos Estados Unidos com o objetivo de formar o maior número de matemáticos para combater a escalada armamentista russa nos tempos da guerra fria. No entanto, a matemática moderna não pode ser aplicada no cotidiano das crianças que cursam o ensino fundamental, o que dificulta o aprendizado.

Livros
Com o objetivo de facilitar a vida de estudantes e educadores brasileiros, a professora escreveu dois livros para-didáticos sobre o ensino da matemática realística com base no que observou nas escolas holandesas de ensino primário. “No Brasil, muitos professores ficam repetindo o que aprenderam e sofrendo porque muitos deles não gostam de matemática e são obrigados a ensinar algo que eles não tem afinidade e se vêem num beco sem saída. Talvez esse material facilite a vida deles”.

Em breve, os livros “Aprendendo coordenadas e vetores” e “Saltos na reta numérica” estarão disponíveis para a venda no Brasil. Para mais informações, entrar em contato com a autora: msdasilva@europe.com

Fonte: www.rnw.nl

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