Na manhã desta quarta-feira faleceu o fotógrafo cearense Maurício Albano,69. Conhecido pela arte que retratava as belezas naturais do Ceará, Maurício foi encontrado pelo neto, dentro do próprio carro, em casa. O velório acontece na residência da família, no bairro Lagoa Redonda, e o corpo será cremado amanhã. As cinzas serão jogadas no mar da Praia de Picos, em Icapuí, onde o artista desenvolvia projetos e pretendia morar.
De acordo com sua filha, Marisol Albano, Maurício teve um desmaio há aproximadamente 30 dias. “Ele estava no processo de fazer os exames para saber o que teria ocasionado o desmaio. Um tio meu,que é médico, suspeita que ele tenha sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou um infarto”, contou.
Maurício lançou, recentemente, o livro “Panoramas-Ceará por inteiro”, que traz registros feitos ao longo de sua vida. “Ele não fotografava tanto ultimamente. Estava fazendo projetos de viver em Picos, perto do mar”, contou Marisol. O projeto de ir para mais perto da natureza contava com a construção de quartos para aluguel por temporada, primando sempre pela arquitetura natural. “Ele estava construindo tudo com entradas de luz, elementos regionais… Ele estava muito feliz fazendo isso”, disse a filha.

Para a família, a partida de Maurício aconteceu cedo. “Mas para ele, tenho certeza que a forma de viver intensamente e não ter passado por hospitais, o deixou satisfeito. Ele morreu sorrindo”, afirmou Marisol. Maurício Albano pertencia a uma família de fotógrafos e admiradores da natureza, como o irmão José Albano e o filho, Ciro Albano.

Em entrevista para o livro Fotojornalismo O POVO-1928/2013, publicado pela Fundação Demócrito Rocha, Maurício falou sobre a importância das imagens e sua relação com o jornalismo, além das transformações pelas quais a fotografia passou. “Me sinto um repórter da vida e conto histórias através das imagens, que falam por si. Claro que o casamento da imagem com a palavra escrita, quando bem colocadas, se casam muito bem”, escreveu Maurício.

Sobre os avanços da fotografia, Maurício destacou o “enorme salto” dado. “A era digital é completamente democrática. Até um simples carroceiro, pedreiro ou gari podem fazer boas fotos. Nos dias de hoje, as grandes fotos de impacto são feitas por amadores ou não.Todos portam uma câmera, também acoplada ao celular, prontas para cobrir o momento”.

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