Exportação

Exportações do Ceará somam US$ 405 milhões

As exportações do Ceará acumulam negócios no valor de US$ 405,7 milhões nos quatro primeiros meses desse ano, o que representa um crescimento de 19,13% em relação a igual período do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Diante deste resultado, o superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Eduardo Bezerra, compara: “Neste período, o Brasil cresceu 25,04%”. Para ele, o Ceará não acompanhou o crescimento do País. “O Estado perde posição relativa”, analisa.

Somente em abril, as exportações somaram US$ 92,4 milhões, queda de 8,11% ante igual mês do ano passado e de 18,46% frente a março. Bezerra alerta: “Não é um resultado bom”. De acordo com ele, as vendas do Estado para o mercado externo devem estar em um patamar de US$ 100 milhões, cifra que indica que as empresas estão trabalhando na capacidade normal, mantendo emprego e faturamento.

O superintendente do CIN acredita que este cenário revela uma sinalização de que a crise da União Europeia está começando a afetar as exportações do Estado. “Os empresários estão cautelosos”, avalia. “Não podemos falar ainda em uma tendência, mas a queda nas exportações de um mês para o outro é significativa”. Bezerra ressalta, no entanto, que o recuo não representa prejuízo para o setor. “Não está mal”, diz. “As empresas direcionam suas vendas para o mercado interno”.

Os principais produtos cearenses exportados são a castanha de caju, calçados, couros, melões e cera vegetal.

Os cinco maiores compradores são os Estados Unidos (que desembolsaram US$ 124,2 milhões para o Ceará, o que representa uma participação de 30,63% nos negócios internacionais do Estado), Reino Unido (US$ 35,6 milhões e 8,78%), Argentina (US$ 31,2 milhões, 7,70%), Itália (US$ 22,8 milhões, 5,62%) e Holanda (US$ 17,7 milhões, 4,38%). No Nordeste, os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco apresentaram desempenho positivo em abril ante março, cresceram 8,73%, 43,83% e 12,4%, respectivamente.

Em valores, o melhor resultado da região em abril ficou com a Bahia (US$ 627,4 milhões), seguida por Maranhão (US$ 322,4 milhões) e Pernambuco (US$ 99,1 milhões), deixando o Ceará em quarto lugar.

Importações

As importações do Ceará somaram US$ 508,1 milhões no primeiro quadrimestre do ano, crescimento de 23% ante igual período do ano passado. Abril passado contribuiu com US$ 141,2 milhões, retrações de 2,80% em relação a igual mês de 2009 e de 8,53% ante março. Eduardo Bezerra, do Cin, afirmou que não pode explicar o que causou essas quedas. “Pode ser uma questão de calendário das entrega de encomendas feitas”, diz o economista.

O Ceará compra do mercado externo, principalmente, trigo, lâminas de ferro, betume de petróleo, gás natural liquefeito. As vendas são feitas, na maior parte, pela China (que recebeu US$ 122,3 milhões do Ceará, uma participação de 24,08%), Estados Unidos (US$ 57,3 milhões, 11,29%), Argentina (US$ 52,8 milhões, 10,40%), Alemanha (25,2 milhões, 4,97%) e Rússia (24,2 milhões, 4,77%).

Balança comercial

A diferença entre exportações e importações do Ceará mostra que a balança comercial está deficitária em abril, em US$ 48,7 milhões, e no quadrimestre, em US$ 102,3 milhões. Segundo Bezerra, o Estado está importando muito material para equipar os parques eólicos, o que eleva o valor das compras e deixa a balança negativa.

Municípios

Os maiores municípios exportadores do Ceará são Fortaleza, Sobral, Cascavel, Maracanaú.

A Capital exportou produtos no valor total de US$ 83 milhões e importou US$ 197,7 milhões, o que deixou a balança com déficit de US$ 114,6 milhões. Sobral registrou US$ 77,8 milhões em vendas internacionais, e US$ 99,5 milhões nas compras do exterior e a balança ficou com superávit de US$ 74,6 milhões.

Cascavel vendeu US$ 58,2 milhões e comprou US$ 4,2 milhões, resultando numa balança positiva de US$ 53,9 milhões. Maracanaú desembolsou R$ 38,6 milhões e recebeu US$ 49,1 milhões, um déficit de US$10,4 milhões.

Fonte: Diário do Nordeste – CE