Após a presença de representantes do Governo do Estado na Assembleia Legislativa, ontem, para fazer explicações sobre as obras do Acquario Ceará, alguns parlamentares colocaram em segundo plano a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. No entanto, os esclarecimentos não puseram fim aos questionamentos no Plenário da Casa e aos pedidos de presença do secretário do Turismo, Arialdo Pinho.

A votação de requerimentos do deputado Renato Roseno (Psol) que pedem esclarecimentos sobre a obra referentes à construção de termelétrica e a presença do secretário Arialdo Pinho gerou embate na Casa. A base governista tentou manobrar a aprovação dos requerimentos. O deputado Elmano de Freitas questionou se a oposição quer informações ou criar uma “rixa pessoal” com um secretário.

renato-roseno“Se o governo está dizendo que dá as informações em 15 dias, qual é a necessidade de agora dizer que tem de vir uma determinada pessoa porque somente ela pode agradar a oposição?”, falou Elmano.

O deputado Renato Roseno rebateu a crítica e chamou de “desrespeito” a afirmação de Elmano de Freitas. Roseno frisou que o requerimento em que pede a visita do secretário foi feito há vários dias, antes da visita da secretária adjunta do Turismo, Denise Carrá.

Os deputados Heitor Férrer (PDT), Ely Aguiar (PSDC) e Capitão Wagner (PR) apoiaram o requerimento de Roseno. Heitor criticou a “submissão” do Legislativo em atender ao “capricho” de um secretário de Governo que “não aparece para dar os esclarecimentos de um equipamento que os números encantam aos governistas, não a nós (oposição)”.

O líder do Governo, Evandro Leitão (PDT), enfatizou, em várias ocasiões, que muitas dúvidas foram esclarecidas na reunião com os secretários ontem. O governo se comprometeu ainda a enviar, em 15 dias, outras informações solicitadas pelos parlamentares. O deputado Joaquim Noronha convenceu Roseno a retirar temporariamente uma parte dos requerimentos até que as informações fosse enviadas. Mesmo assim, a votação do pedido de presença de Arialdo continua na Casa.

Comissão
O deputado Roberto Mesquita (PV), que era um dos apoios esperados à CPI, anunciou que não assinará a abertura da investigação. Ele se disse “satisfeito” com as explicações dos secretários da Fazenda, Mauro Filho, do Planejamento, Hugo Figueiredo, e da secretária adjunta do Turismo, Denise Carrá. “Assinar a CPI é criar mais uma barreira para, em chegando lá no Senado, essa autorização do empréstimo ser barrada”, disse Mesquita.

Ele ressaltou sua indignação com o anúncio de que, quatro anos depois, o Governo do Estado ainda não realizou o empréstimo junto a instituição de crédito para obra. Mesquita afirmou que ficou “reticente” em relação ao empréstimo, mas acredita na promessa de Mauro Filho de que até abril terá regularizado o pedido junto ao Cofiex.

O parlamentar apoiou a sugestão do deputado Ely Aguiar de formar uma comissão para acompanhar o andamento da obra do Acquario Ceará. Conforme a proposta de Aguiar, a comissão será formada por seis deputados divididos entre oposição e situação.

A deputada Fernanda Pessoa (PR) ressaltou que, na situação em que está a obra, não há condições de paralisá-la. Ela ressaltou os gastos do governo com a obra que já ultrapassam os R$ 120 milhões.
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