turismo cearáA elevada procura pelo Ceará durante o período de férias em julho motivou a operadora de turismo CVC a criar um frete extra para o Estado nesta época do ano

O Ceará deverá receber 364 mil turistas na alta estação deste ano. A Secretaria do Turismo do Ceará (Setur) projeta que a presença desses visitantes gerará uma renda de R$ 1,276 bilhão, que é bem próxima, porém superior à gerada ano passado, durante a Copa do Mundo de futebol, torneio em que Fortaleza foi uma das cidades-sede. A diferença é de R$ 41 milhões a mais.

Conforme os dados, a renda gerada estimada pela Setur é de R$ 1,276 bilhão neste mês de julho. Em igual período do ano passado, esse valor foi de R$ 1,235 bilhão. Em 2013, a geração de renda ficou em torno de R$ 1,073 bilhão em todo o Estado durante as férias.

A expectativa é baseada na ocupação hoteleira, que já está 77% reservada durante o mês de julho. Essa taxa, contudo, é 8,2% inferior ao verificado no ano passado, durante o período da Copa do Mundo, quando a ocupação ficou em 84,6%. Em 2013, 81,2% dos leitos foram ocupados.

Porém, a Setur aponta que haverá número de turistas superior ao registrado em 2013, considerado ano “norma”, apesar da realização da Copa das Confederações, também tendo o Ceará como sede de partidas. Segundo o estudo, haverá acréscimo de 4% em relação ao ano de 2013, quando o Estado recebeu 350 mil turistas durante o mês de julho. Neste ano, são aguardados 364 mil visitantes. Em 2014, foram 373 mil pessoas a passeio no Ceará durante o período.

No Aeroporto

A movimentação no Aeroporto Internacional Pinto Martins também será menor que a de 2014. Entretanto, supera o ano de 2013. A expectativa para este ano é de 595 mil passageiros. Em 2014, foram contabilizados 607 mil, enquanto que em 2013 foram registrados 570 mil.

Gasto médio

Conforme a pesquisa da Setur, o gasto médio por pessoa durante a estada no Ceará será de R$ 2 mil. Essa quantia também é superior à dos últimos anos. Em 2013, o valor foi de R$ 1.750,25.

Já durante a Copa do Mundo de futebol, a quantia ficou em R$ 1.890,27. A receita turística também será incrementada com o aumento das visitas ao Estado. A projeção é de R$ 729,3 milhões, ante R$ 705,9 milhões do ano passado. Em 2013, o volume foi de R$ 613,2 milhões.

Inflação

O coordenador de pesquisas e estudos da Setur, José Valdo Mesquita, explica que essa diferença de arrecadação e gastos deste ano em relação a 2013 e 2014 é justificada pela inflação.

“A pessoa que antes gastou um mil reais durante as férias no Ceará, hoje, não consegue mais. Isso é um efeito de inflação. Gradativamente, a gente percebe isso. Na realidade, os gastos sempre aumentam de um ano para outro. Mesmo com a diminuição do fluxo turístico, há um aumento do gasto per capita, com que há um incremento grande na economia. Como o gasto aumentou, o efeito na economia vai ser maior”, relatou.

Para o coordenador, o setor hoteleiro talvez perceba cenário diferente dos demais setores por ser diretamente afetado com a redução de visitantes. “A hotelaria é quem vai mais sentir. O ano de 2014 que foi incomum, por conta da Copa do Mundo. É impossível superar. Mas o favorável é que em relação a 2013, tem mais de 4% de crescimento”.

Aluguel por temporada

Ele ressalta ainda que Fortaleza tem recebido muitos turistas que optam por ficar em casas alugadas. Conforme Mesquita, mais de 1.100 estabelecimentos com aluguel por temporada foram disponibilizados. Destes, 695 estão diretamente no chamado corredor turístico, que envolve os bairros Meireles, Mucuripe, Varjota e Praia do Futuro. A ocupação desses imóveis é de 100%, segundo a Setur.

“Os leitos em aluguel por temporada disponíveis em julho do ano passado eram 343. Neste ano subiu para 1.100. Destes, 83% estão no corredor turístico e todos eles estarão ocupados neste mês de julho. O turista deixou de ir para a ocupação formal”, comentou. A alta procura pelo Ceará nas férias de julho motivou a operadora de turismo CVC a criar um frete extra para o Estado no período das férias.

O novo voo sairá de Guarulhos (São Paulo), todos os sábados, durante o mês de julho. O novo pacote será de oito dias e incluirá passagens aéreas de ida e volta para Fortaleza, traslados, café da manhã e passeios. “Muitas pessoas do Sudeste e Sul do Brasil querem fugir do frio desta época do ano e correm para o Nordeste. O Ceará é um dos destinos preferidos, principalmente nesse momento da economia em que o dólar e o euro estão em alta”, completou o coordenador de estudos e pesquisas da Setur.

O que eles pensam

Esperança de melhores vendas que em 2014

“Estamos com estoque diversificado e esperançosos de que vai haver boas vendas. Agora é dar um estímulo, pois o consumidor está com aquela dúvida, diante dessa situação pela qual passa a economia nacional. Para trazer esse pessoal, estamos promovendo um megaevento de desfile de moda na Avenida. Com essa estratégia, a gente acredita que o consumidor venha. Queremos que as lojas da Avenida Monsenhor Tabosa deem 50% de desconto em 18 de julho. Nesse momento, a gente sai da zona de conforto e procura alternativas para sobreviver. Estamos trabalhando no sentido de não ficarmos parados. A crise está aí. Quem fica parado não quer solução. Estamos trabalhando com muito afinco, a fim de que a gente consiga garantir boas vendas, pois, do jeito que está indo, está bastante difícil”

Antônio Cruz Gonçalves
Presidente da Associação dos Lojistas da Monsenhor Tabosa (Almont)

“A gente espera que pelo menos seja como no ano passado, de preferência que aumente algo em torno de 10%. Se for como foi o ano passado, fica razoável. A expectativa, como neste ano não tem Copa do Mundo – ela nos atrapalhou – a gente espera que o movimento seja maior. Quem ganhou com a Copa foi só a Fifa. Nós só tivemos prejuízo. Já que não tem um grande evento, o Mercado Central é o segundo local mais visitado, só perde para as praias. Já se vê, se percebe, que tem muita gente na cidade, já apareceu muito turista. Mas as compras ainda não estão dentro do esperado. O turista daqui passa uns 10 dias e depois vai pra outro local. Vamos sentir se será positivo mesmo a partir da próxima semana. Mas temos tudo para ter quatro semanas boas”

João Eudes de Oliveira
Presidente da Associação dos Lojistas do Mercado Central (Almec)

Fonte: Diário do Nordeste em 03.07.15