Neste ano, o Brasil será palco de um dos maiores eventos globais sobre água: o Fórum Mundial da Água. De 18 a 23 de março, Brasília no Centro de Convençōes Ulisses Guimarães, sediará encontros com apresentações de projetos de diversos países para o uso racional da água em todo o planeta.

O Sistema FAEC/ SENAR-CE estará representado no 8o Fórum Mundial da Água, pelo Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará, Flávio Saboya e pelo Superintendente do SENAR-CE, Sérgio Oliveira da Silva. Vivemos em uma região onde a escassez de água é constante, temos que nos preparar cada vez mais para conviver no semiárido, dai a importância da realização deste evento e a justificativa de nossa participação, disse o presidente da FAEC, que coordena a nível de Nordeste, o Programa Forrageiras no Semiárido. Já o Superintendente do SENAR que foi o coordenador no Ceará do Programa de Conservação de Nascentes, entende que o Fórum trará importantes informações a todos os presentes .

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil-CNA, terá um estande no evento, com um espaço especial onde todos os dias haverá palestras de 15 minutos sobre temas variados, e nos painéis serão expostas as ações desenvolvidas pelo Sistema CNA/ SENAR/ ICNA , incluindo as 27 Federações de Agricultura e Pecuária.Entre os temas a temas a serem abordados estão o Programa de Proteção de Nascentes , o projeto Biomas para conservação e biodiversidade da água, o Programa de Pesquisa Forrageiras do Semiårido .Tanto o Projeto Biomas, quanto o Forrageiras do Semiårido estão sendo desenvolvidos no Estado do Ceará, na Fazenda Triunfo, no município de Ibaretama.,

De 2012 a 2016, o Brasil passou por problemas provocados pela falta de chuvas, sobretudo no Nordeste do país. De acordo com dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), nesse intervalo de tempo, a região registrou prejuízos de R$ 104 bilhões por causa da seca. O valor equivale a cerca de 70% das perdas em razão desse fenômeno.

Outro exemplo de prejuízo causado pela escassez de chuva foi a queda na produção de grãos no país, em 2016. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o feijão apresentou redução de 15,4%, na comparação com 2015. A produção de soja recuou 1,2%. Já o milho teve diminuição de 24,8% na produção.

O Fórum Mundial da Água é organizado pelo Conselho Mundial da Água e acontece a cada três anos. Esta será a oitava edição do evento e, pela primeira vez, um país do hemisfério sul será anfitrião.

Serviço:

O que: “Apresentação do Projeto Biomas sobre parceria público-privada para conversação da biodiversidade e da água”

Quando: 21 de março de 2018, às 16h30

Onde: Espaço Sistema CNA/SENAR/ICNA – Expo do 8º Fórum Mundial da Água – Centro de Convenções Ulysses Guimarães – Brasília/DF

Processo de irrigação é fundamental para qualidade de produtos agropecuários

Por isso, em anos de seca, os produtores agrícolas precisam suprir a falta de chuva com o processo de irrigação, que fornece água de maneira artificial para as plantações. Um levantamento apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que quase 70% de toda a água disponível no mundo é usada em atividades voltadas para a agricultura.

No entanto, a própria Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) remete a realidade para outro sentido. Isso porque, de acordo com a ONU, a população mundial deve chegar a 9 bilhões até 2050. Logo, estima-se que a demanda por alimentos aumente 70%.

Com base nisso, o pesquisador na área de recursos hídricos e irrigação da Embrapa Cerrado, Lineu Rodrigues, afirma que os projetos de irrigação devem ser sustentáveis, mas não limitados a ponto de deixar a população da cidade sem comida.

“Não tem como se produzir alimento sem água. A água é fundamental. O que nós temos que fazer é uma boa gestão dos nossos recursos. A gente tem muita água. Quando você tira Amazonas do processo, que é onde tem mais água, a gente usa 5% de todos os usos e 2,6% da agricultura irrigada. Mas, você tendo uma boa gestão, um bom planejamento, temos água suficiente para atender a todos os usos”, comenta.

Lineu ressalta ainda que, se os projetos de irrigações fossem mais abrangentes, a produção dos alimentos se elevaria e futuramente não haveria a necessidade de abrir mais áreas para plantio em regiões de florestas. “No Brasil, por exemplo, nós irrigamos em torno de 7 milhões de hectares e temos um potencial de 70 [milhões]. Se a gente irrigar mais, a gente pode, no mínimo dobrar a nossa produção. Você evita a necessidade de abrir novas áreas, por que tem o efeito ambiental também”, ressalta.

O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, afirma que há informações não verídicas sobre problemas que “desqualificam os avanços que o país alcançou na agricultura e na gestão dos seus recursos naturais”. Segundo Lopes, as lavouras e florestas plantadas ocupam 10% do território nacional e, “apesar de detentor de 12% das reservas de água doce do planeta, a produção de alimentos no país depende prioritariamente de chuvas”.

No Distrito Federal, programas realizados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), voltados para o cultivo de grãos e frutas, têm funcionado, mesmo em épocas de estiagem. É o que afirma o diretor executivo da instituição, Rodrigo Marques. “Morango, por exemplo, mesmo com a questão da crise hídrica, a gente conseguiu aumentar a produtividade, sem aumento de áreas, sem aumento de irrigação, só com algumas características que influenciaram,” afirmou.

Fórum Mundial da Água

Neste ano, o Brasil será palco de um dos maiores eventos globais sobre água: o Fórum Mundial da Água. De 18 a 23 de março, Brasília sediará encontros com apresentações de projetos de diversos países para o uso racional da água em todo o planeta.

Um dos presentes será o presidente das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), José Aderval da Silva. Ele comenta sobre a importância da geração de alimentos e lembra da relação que a água tem na produção do sustento que vai diariamente para a mesa da população.

“Nós trazemos o programa do Desperdício Zero, que é um combate ao desperdício de alimentos, muito grande no Brasil. Temos o entendimento de que, você desperdiçando alimento, automaticamente desperdiça grandes quantidades de água”, salientou.