A previsão é que a indústria entre em operação em dezembro deste ano e gere cerca de 300 empregos

28 de Julho de 2015. Vestas, energia eÛlica  - negocios - 26ne0508  -  NLVL

28 de Julho de 2015. Vestas, energia eÛlica
– negocios – 26ne0508 – NLVL

A produção da indústria dinamarquesa será voltada para o mercado nacional
A cadeia produtiva de energia eólica no Ceará ganhará mais um componente. Está prevista para entrar em operação, em dezembro deste ano, no município de Aquiraz, a fábrica de aerogeradores da empresa dinamarquesa Vestas.

O empreendimento, dotado de investimento aproximado de R$ 100 milhões, deve gerar, juntamente com fornecedores e empresas que integram a produção da fábrica, cerca de 300 empregos na fabricação dos produtos componentes das torres eólicas.
“Nós estamos com o galpão praticamente pronto e nós devemos começar a receber os primeiros equipamentos nas próximas semanas”, afirma o vice-presidente da área de compras da empresa, Gustavo Santos.

O empreendimento tem capacidade para fabricar anualmente 200 naceles (compartimentos instalados no alto das torres que abrigam todo os mecanismo do gerador), que representam, juntos, uma potência de 400 megawats (MW).

Segundo o vice-presidente da área de compras da Vestas, depender das demandas do mercado, o empreendimento tem capacidade para dobrar sua produção para 400 aerogeradores por ano, ou seja, 800 MW.

A fábrica em Aquiraz representa o segundo investimento feito pela empresa no Ceará. O primeiro foi em Maracanaú. A decisão por um novo local para abrigar a fábrica veio devido às restrições de espaço na primeira operação, que atualmente funciona como almoxarifado para a produção da empresa.

“Foi uma operação que a gente começou em 2010, mas ficou temporariamente suspensa e a partir de 2014 nós optamos por fazer outro investimento, para a expansão das atividades no Brasil”, explica Santos.

Concorrentes

O vice-presidente revela que a Bahia foi concorrente do Ceará para receber o aporte da empresa e que os fatores que pesaram na escolha foram a experiência prévia em Maracanaú e a mão de obra local.

“Nós encontramos profissionais que aprenderam muito rápido e isso nos deu segurança. A experiência que a gente teve com pessoas, com cearenses trabalhando, foi bastante positiva”, lembra ele.

A produção da Vestas em Aquiraz estará voltada para atender parques eólicos no Brasil, com a possibilidade de exportação da produção para outros Países situados na América do Sul.

“No momento, temos entregas previstas para o Rio Grande do Norte e Bahia. Assim que entregas para novos parques eólicos forem contratados, a Vestas irá informar ao mercado através de anúncio oficial”, ressalta o gerente da área de compras.

74 países

A Vestas é uma das maiores fabricantes de aerogeradores do mundo. Já construiu mais de 54 mil equipamentos para torres eólicas que estão situadas em 74 países, nos seis continentes. Juntos, os aerogeradores geram mais de 90 milhões de MWh de energia por ano.

A empresa registrou um crescimento de 30% em sua receita no segundo trimestre deste ano no comparativo com igual período do ano anterior.

Cadeia

Para incrementar ainda mais a cadeia de energias renováveis, a secretária de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Nicolle Barbosa, destaca que o Governo do Estado também está prospectando uma nova fábrica de torres eólicas. “Nós já temos um fabricante de pás, que é a Aeris, e a Vestas, que está chegando para fabricar aerogeradores”, destaca ela.

Sem revelar o nome das possíveis empresas convidadas a se instalar em território cearense para a produção de torres, a titular da pasta destaca que “o governador (Camilo Santana) já fez alguns contatos com algumas empresas grandes, bastante cobiçadas por outros estados, como Pernambuco e Bahia, e isso está em negociação”.

O Ceará já possui uma fábrica da Aeris Energy, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp). A indústria que produz pás eólicas começou a operar em 2012 e teve um investimento de aproximadamente R$ 50 milhões para sua instalação

O Cipp ainda conta com a Wobben Windpower, primeira indústria a se instalar no complexo, que fabrica na unidade pás, torres de concreto e outros componentes para aerogeradores.

A fábrica foi inaugurada no ano de 2002 e foi expandida em 2005, com aporte adicional de cerca de US$ 5 milhões. A Wobben é subsidiária da Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e uma das líderes do mercado eólico mundial.

A empresa possui, ainda, três parques eólicos instalados no Estado: em Aquiraz, em São Gonçalo do Amarante e em Fortaleza, localizado no Mucuripe.

Projetos

De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), está prevista nos próximos anos uma adição de 1,6 milhão MW na capacidade de geração de energia eólica no Estado do Ceará.

Além dos 44 empreendimentos em operação, existem 11 que já estão em construção, correspondendo a uma potência de 241,3 mil MW, e outros 48 que ainda não tiveram sua implementação iniciada, que irão adicionar 1,4 milhão MW de potência.